OS EMIGRANTES DE BUJÕES - BRASIL TERRA DE ELEIÇÃO
Todos os anos se comemora o dia 25 de Abril. Dia inesquecível que
encheu o coração de esperança de milhões de portugueses, decorria o
ano de 1974. Este blogue não faz comentário político, apenas
pretende fazer alusão a essa data porque era então suposto que o nosso
país deixaria de ser terra de emigrantes espalhados pelo mundo e criaria condições para
que a maioria dos que nasciam na mãe pátria tivessem
oportunidade de aqui trabalhar e realizar os seus sonhos e aspirações,
vivendo uma vida melhor.
Passados tantos anos, esse sonho não passou de uma miragem e hoje sentimos que muitos jovens, a maioria formada nas universidades, partem a
caminho dos mais diversos países do mundo, sabendo-se que nos séculos
anteriores os que partiam eram quase sempre portugueses humildes e
trabalhadores sem grande formação, porquanto a maioria nem sequer
sabiam ler ou escrever, possuíndo apenas a chamada 4ª classe.
Não deixa de ser triste que estejamos tão longe de propiciar a esses jovens as condições para que alcancem uma vida melhor. Sendo assim, continuamos a ser terra de muitos que emigraram para os mais diversos
destinos do estrangeiro e também de muitos deixaram as suas terras natais e se deslocaram para outros locais do país onde teoricamente é mais fácil arranjar um emprego. Estes, buscavam encontrar melhor vida em Lisboa,
Porto e por todo o lado, sempre com o intuito de construirem e viverem uma vida
mais digna. Eu mesmo sou um caso desses.
Os emigrantes, os que decidiram partir, esses ainda fizeram maior
esforço e ei-los a caminho do Brasil, depois França, Alemanha, Suiça,
Luxemburgo, por todo o Mundo, muitos, à excepção do Brasil, sem saberem
sequer escrever ou falar uma palavra da língua local, mas com uma
vontade indómita de vencer. A esmagadora maioria conseguiu encontrar
nesses países uma forma de realizarem a sua vida e até de ampliar
as suas próprias raízes familiares. De facto, a muitos
deles ali nasceram os seus filhos, netos e bisnetos, mas nem uns,
nem outros, na generalidade dos casos, esquecem a sua terra natal ou a
terra de seus pais e avós. A maioria, num esforço louvável, investiram
muito do que ganharam na construção de casas, na compra de bens
imobiliários de outra natureza e foram o suporte em muitas
ocasiões da nossa economia, enviando com sacrificio as suas poupanças. Nas
férias, são muitos os que ainda hoje regressam para matar
saudades.
Sou daqueles que considero os emigrantes pessoas que merecem os maiores
louvores, a gratidão do nosso país, o respeito de todos, porque eles são
o exemplo do querer e da raça de ser português.
Aos bujoenses emigrantes, para que não fiquem no esquecimento da diáspora impressionante que marcou milhares de portugueses, vamos deixar a lembrança de uma foto daqueles conterrâneos que
a colaram no passaporte, quando tal era possível, e olhos nos olhos transmitir-lhes o sentimento de gratidão que merecem pelo esforço tremendo que fizeram, uns para toda a vida, outros por períodos de tempo significativos e outros ainda porque sairam de Bujões e mudaram apenas de local, espalhando todos eles desde alguns séculos atrás, até hoje, o espirito que faz dos bujoenses gente de respeito e de amor fraternal à família, por quem sempre lutaram!
Embora saibamos que vão faltar muitas fotos, tudo faremos para publicar o
maior número possível de documentos, apesar de não ser fácil encontrar
muitos deles, ficando o nosso objectivo por agora mais circunscrito ao
Brasil, terra de eleição dos bujoenses em séculos passados.
Justo será relembrar que, quando éramos crianças, ouvíamos os gritos
lancinantes das famílias daqueles que partiam, como se terminasse
naquele momento a vida desses bujoenses especiais que apenas fugiam da
pobreza e iam na esperança de ajudarem a família, pais, mulher e filhos
a viverem melhor. "Adeus meu querido filho que nunca mais te volto a ver
!" "Adeus meu querido homem que vais partir para sempre!" E choravam e
gritavam em grande alvoroço. Anos depois, aqueles que voltavam
eram intitulados de brasileiros, alguns com umas patacas no bolso, mas
poucos com riqueza que se visse.
Adiante, poder-se-á concluir que houve muitos que partiram,
aqueles que foram e logo regressaram, e outros que voltaram
novamente, num vaivém periódico, outros que nunca regressaram, outros
ainda que se distinguiram e até enriqueceram, os que casaram e
constituiram família, sendo que todos eles deixaram em nós um sentimento
de gratidão, de agradecimento pela sua luta, esforço e sofrimento,
porque sonharam com um só objectivo- melhorar de vida, não deixar que a
miséria e a fome atingissem os seus entes queridos. Só por isso, valerá
apena deixar para sempre um simples documento de todos aqueles de quem
foi possível encontrar os registos dos passaportes e saber-se os locais
para onde emigraram! Obrigado a todos! Se vocês nunca esqueceram a vossa
terra, então porque não havemos nós de deixar a vossa lembrança às
gerações futuras? Aqui ficam mais de 150 anos de lembranças daqueles que desde há mais de século e meio até há bem pouco, se fizeram ao mar e atravessaram o oceano, ou voaram alto, mundo além, em busca de realizar o sonho de uma vida melhor!
Bravo bujoenses! Muitos não constam desta longa lista porque não os encontrámos, mas basta dar uma vista de olhos para se confirmar que duma pequena aldeia quase todos se aventuraram nesse objectivo, alguns vezes sem conta... e aqui ficam todos sem nenhuma ordem especial. Conforme apareciam, assim os acrescentámos .... desde 1864!
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Navio Almirante Alexandrino - Vários bujoenses nele viajaram
a caminho do Brasil
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Aqui aportavam, ao chegar e também quando regressavam! Cais de Santos, memória viva há mais de 150 anos! |
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Cidade de Santos: Aqui chegaram de barco, aqui trabalharam, e
ainda trabalham muitos bujoenses ou seus descendentes. Porém, a maioria
ficou no Rio de Janeiro ou em S.Paulo.
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REGISTOS
DE PASSAPORTE
António Joaquim Botelho - filho de António Botelho de Sampaio
1º pedido de passaporte para o Brasil, de um bujoense. 1864!
Depois de António Joaquim Botelho, outros se seguiram (ainda não existiam fotos).
Eis os seus nomes:
Henrique Botelho Moutinho Idade: 28 anos
Data 1872-01-19 -
António Afonso Idade: 21 anos
Data 1874-04-10 –
António Manuel Lopes Messias Idade: 23 anos
Data 1874-04-13 –
António do Carmo Idade: 21 anos
Data 1874-10-15 –
José Alves Marcelino: Idade: 27 anos
Data 1875-03-03 -
Joaquim Gomes Moreira Idade: 29 anos
Data 1875-04-08 -
José dos Santos Pereira Tiago Idade: 12 anos
Data 1875-04-27 -
Augusto Alves Marcelino Idade: 13 anos
Data 1875-01-25 -
Matias Timpeira: Idade: 25 anos
Data 24/12/1879
Gaspar Barbosa: Idade: 30 anos Lugar:
Acompanhante : Bernardina Júlia, esposa.
Data 1880-07-03
António Gomes Moreira: Idade: 29 anos
Data 1880-07-06
Cleto Exposto: Idade: 48 anos
Acompanhantes: Maria Teresa (esposa, 32 anos); Agostinho (filho, 8 anos) e Ana Maria ( filha) 6 anos.
Data 1883-03-31
Francisco Rodrigues Cachaça: Idade: 30 anos
Data 1883-04-05
Diogo Barbosa Idade: 29 anos
Acompanhantes: Maria de Jesus da Silva (esposa, 25 anos), Manuel Barbosa (filho) e Margarida (filha) 5 anos
Data 1884-04-05
Barbara Amélia: Idade: 18 anos
Tereza Barbosa: Idade: 6 anos
Data 1884-04-30
Augusto Alves Marcelino Idade: 22 anos ( 2ª vez)
Data 1885-03-03
António José Idade: 36 anos
Acompanhantes: Sabina de Jesus (esposa) e Brígida (filha, 14 anos)

Meus avós paternos, António Baptista Paula e Luísa Alves Cardeal,
acompanhados da filha Natividade, pouco tempo permaneceram no Brasil.
Na casa abaixo, onde vivia e reencontrei em Santos, em
1982, meu tio JOSÉ PAULA, e não José Paulo que, tal com o meu tio Manuel Paula, foram dois irmãos maravilhosos
e amigos dos irmãos de Bujões (meu pai, minha tia Maria e tia Natividade). Todos nós, seus sobrinhos, lhe devemos muito pela bondade que sempre manifestaram. Nunca voltaram à sua terra, porque a vida pouco lhes sorriu, mas tinham um coração e um espírito de fraternidade invulgares, nunca esquecendo aqueles familiares que ficaram na aldeia. Sempre prontos para ajudarem,até partirem. DEUS certamente já os tem há muito a seu lado, porque merecem. Obrigado!
Meu querido tio José Paula
Meu querido tio Manuel Paula ( e não Manuel Paulo)
Dona Marieta. Para nós é uma bujoense do coração!
Devido a dispormos ainda de muitas fotos, iremos abrir brevemente uma 2ª página para englobar todos os que não couberam nesta página. O O titulo da página será:
OS EMIGRANTES DE BUJÕES-BRASIL TERRA DE ELEIÇÃO 2
Outubro 2026
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