FOTOS INÉDITAS








Decidimos publicar nesta página algumas fotos consideradas inéditas, extraindo-lhe aquilo que deva ser realçado sobre a memória de alguns desses bujoenses nelas retratados e que, por muitas voltas que o Mundo tenha dado, e continue a dar, constituem para sempre parte do património humano da nossa aldeia. Esse princípio tanto se aplica aos que já partiram como aos que ainda se movimentam, felizmente, pelos caminhos deste mundo! 

Irão sendo acrescidas, por outro lado, algumas fotos que não retratam personagens mas que estão intimamente associadas, pelos mais diversos motivos, a esses longos caminhos já percorridos desde os tempos em que Bujões iniciou o seu percurso, no ano longinquo de 1191. 

Qualquer trabalho desta natureza, que depende essencialmente da boa vontade de terceiros, ou de pesquisas necessáriamente morosas e dificeis, não tem como objectivo imediato apresentar resultados espectaculares e em quantidade. No fundo, há que ter paciência e ir caminhando ao ritmo da vida, quando as nuvens do outono se aproximam velozes - isto é, realizar uma coisa de cada vez e esperar com paciência o resultado final! E, sobretudo, nunca esquecer que os jovens actuais dispoem de uma preparação e de meios capazes de, no futuro, algum deles acrescentar algo mais ao historial que as páginas deste blogue já exibem!

Devemos recordar que, há meio século atrás, obter uma foto na nossa aldeia não era tarefa fácil, e haver quem a fizesse perdurar até hoje, mais dificil ainda! Mas nem por isso vamos desistir de alcançar alguns objectivos, contando desde logo com a prestimosa colaboração dos nossos leitores, sobretudo os bujoenses, que na própria aldeia ou mesmo no estrangeiro ou noutras paragens, não deixarão de agir colaborando abertamente nesta tarefa, tendo sempre presente o princípio de que "RECORDAR É VIVER" !

Quem por aí tiver fotos inéditas, sejam de que tipo for, aqui abrimos as portas do blogue para que constem como memória viva e futura do passado que já percorremos!



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O 2º militar da DIREITA para a ESQUERDA, nascido em Bujões em 12/1/1944 e falecido a 27/11/1966 em Moçambique, é JOSÉ RICARDO MARTA. É o único de bigode, e aqui está ele junto dos seus companheiros, poucos meses antes de ter sido atingido mortalmente numa emboscada, deixando a nossa aldeia mais pobre, registando-se, então, momentos de muita consternação e tristeza, quer pela população em geral, quer sobretudo pela família e amigos. O José deixou uma filha que é hoje orgulhosa herdeira da sua memória e que tem todos os motivos para nunca esquecer este heróico militar bujoense, seu pai, que deu o peito às balas para defesa dos ideais da nossa pátria. Sendo o único militar da freguesia que morreu em combate na guerra de África, há muito que os representantes do povo eleitos localmente lhe deveriam prestar homenagem adequada, porquanto não há coisa mais nobre do que lutar e oferecer a vida em sacrificio pela bandeira de Portugal. E não adianta argumentar que a guerra foi inútil. Todos os que lutaram e sobretudo os que tombaram de um lado e de outro, são exemplo nobre porque agiram em cumprimento de um dever imperativo e que é sem dúvida a essência fulcral daquilo que importa ser valorizado!
Em combate há heróis de ambos os lados!
Honra, respeito e admiração pelo bravo JOSÉ RICARDO MARTA, um bujoense inesquecível!




JOSÉ RICARDO MARTA, nascido em Bujões em 12 de Janeiro de 1944, filho de José da Silva Marta e Teresa de Jesus Penalva. Soldado com o número de ordem 02297965. Embarcou no paquete Vera Cruz com destino a Moçambique em 23 de Abril de 1966, integrado na 1ª Companhia de Caçadores nº 1571 do Regimento de Infantaria 15 de Tomar. Tombou em combate em 27/11/1966. 



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Se leram o livro publicado pelo Dr. Germano Correia Botelho, intitulado "DESDE O ALTO DA SERRA", devem lembrar-se que ele se refere a um episódio em que o então Presidente da República, Almirante Américo de Deus Rodrigues Tomás, visitou a Escola Salesiana do Funchal-Madeira. Esta obra magnífica, que ainda hoje se mantém, era à época dirigida pelo bujoense Padre Germano Correia Botelho, aqui ao lado do seu ilustre visitante que era acompanhado pelo Dr. Baltazar Rebelo de Sousa, ministro e pai do actual PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Professor  Dr. Marcelo Rebelo de Sousa. 
Tempos de outrora, que são a imagem de um filho da nossa terra lutando pelo prestígio da Instituição Salesiana na qual deixou um legado que nunca poderá ser apagado, por mais voltas que o mundo tenha dado.

A este bujoense ilustre, hoje no outono da vida, muitos feitos positivos lhe poderão ser apontados, mas a sua maior virtude é a de nunca ter esquecido o seu torrão natal, sempre trazendo a sua aldeia, a família e amigos no coração.

Colocou toda a sua capacidade e inteligência, enquanto sacerdote, ao serviço da família salesiana, entrando pobre e saindo de bolsos vazios.

Pelos mais velhos que o conheceram desde esses tempos, será sempre lembrado como o Senhor Padre Germano, um mestre na arte da comunicação e um entusiasta dos jovens que em diversos Colégios o tiveram como dirigente e educador!

Palavra de honra que me sinto um jovem! 




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Vessadios- Andrães.

Nesta a casa, agora tão degradada, viveu Dona Antónia Telles.  A casa pertencia ao capitão António Lopes Esteves do Nascimento, e a sua mulher Albertina Telles, irmã de Antónia, e de onde saíram todos para o Brasil, em 1867, junto com os inúmeros filhos daquele casal, embora alguns deles tenham partido antes.
Estabeleceram-se na região de Santa Rita de Sapucaí, Cachoeira de Minas e Pouso Alegre, no Estado de Minas Gerais e alguns deles foram grandes fazendeiros, ao casarem com filhas de famosos coronéis do tempo da escravatura.
O fim da escravatura retirou muito poder aos grandes senhores daquela região e alguns deles terão acabado por escolher outros locais para viver pertencentes ao Estado de São Paulo. De qualquer forma está comprovada a sua presença naquela região do estado de Minas Gerais, onde muitos deles viveram e morreram.
Lembramos que Dona Antónia ... de Sabrosa, foi mãe solteira de Maria dos Remédios, tendo esta sido introduzida na Roda da Igreja de Canelas, onde foi baptizada. A partir daí, tudo aponta que tenha sido recolhida na chamada Casa Grande, da Presegueda, pertença de Afonso Botelho, irmão de Dona Albertina e Dona Antónia, tio de Maria dos Remédios. Esta viria a conhecer, na juventude, um padre de Bujões -Domingos Ribeiro de Araújo- capelão de uma senhora da nobreza residente naquela localidade da Presegueda , e ambos se apaixonaram, acabando por residir em Bujões.
Tudo indica que o pai da menina enjeitada era um conhecido membro da nobre e prestigiada familia Canavarro, de Sabrosa.
Dona Antónia, viria a ser avó materna dos 5 filhos de Maria dos Remédios e do Padre Domingos Ribeiro de Araújo, sendo assim protagonista de uma história digna de telenovela e que envolve as famílias Ribeiro de Araújo, Combas, Figueiredo, e outras.
Todavia, não apareceu até agora qualquer indício que nos permita concluir que quer o pai, quer a mãe de Maria dos Remédios, mesmo tendo em consideração os condicionalismos da sociedade naquela época, tenham prestado alguma atenção á filha que geraram e que escolheu um coração bujoense para deixar um legado familiar que é parte essencial da história de Bujões, já relatado exaustivamente nas páginas deste blogue-edição 2





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Não conseguimos descortinar muitos bujoenses que consigam identificar à primeira quem é este conterrâneo, aqui fotografado no Brasil, no ano de 1946, tinha então 25 anos. Trata-se da foto usada para obter viso no seu passaporte emitido no Consulado de Portugal em S. Paulo em 13 de Julho de 1946, há quase 70 anos. Trata-se, como é óbvio, de MANUEL CORREIA BOTELHO, falecido em 31 de Julho de 2017 em São Paulo- Brasil. 
Muito haveria para escrever sobre este bujoense ilustre, amante da sua aldeia como ninguém e cuja vida é um retrato  fiel daquilo que só um romance de milhares de folhas poderia descrever com algum dramatismo os caminhos percorridos nesta vida por esta figura emérita. 


  

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E este ilustre bujoense quem será? Usou a primeira foto no passaporte obtido em Vila Real em 21 de Julho de 1928 e a segunda foto para obter visto no passaporte emitido pelo Consulado de Portugal no Rio de Janeiro em 22 de Março de 1938. Separam estas fotos 10 anos, ou seja quando ele tinha 25 e 35 anos, respectivamente, pois nasceu em 6 de Março de 1903. Era solteiro. Filho de Domingos Augusto Cardeal e Maria Cândida Comba. Seu nome é ANTÓNIO AUGUSTO CARDEAL, e viajou muitas vezes para o Brasil onde era um reputado comerciante. Trata-se de um personagem da família CARDEAL que já dispõe de uma página neste blogue e não será demais lembrar o filantropismo deste e de outros membros dessas reputadas e respeitadas gentes, a cuja galeria familiar pertenceu meu pai.



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JOAQUIM BOTELHO, foto do passaporte - Outubro de 1939


Ainda alguém se lembra da tia Zulmira? Ela foi mãe de dois bujoenses que emigraram para o Brasil - o Manuel Botelho que era comerciante de tecidos e faleceu em Curitiba, no Estado do Paraná, e seu irmão, o José Botelho, mais conhecido por "Zé Russo", também comerciante e residente em S. Paulo, onde faleceu. Ambos casaram naquele país e deixaram filhos e eram excelentes pessoas, lembrando-se que o Manuel se deslocou imensas vezes a Portugal e sempre visitava Bujões.
De facto, JOAQUIM BOTELHO, filho de Vicente Botelho e de Antónia Alves, neto paterno de avô incógnito e de Cândida da Conceição, materno de Geraldo Alves Abelha e de Teresa de Jesus, nasceu em Bujões aos 10 de Abril de 1905.
Casou com Zulmira dos Santos Fernandes, filha de Valentim dos Santos e de Maria Augusta, em 25 de Setembro de 1926, tinha ela 19 anos.
A tia Zulmira, que tão bem conheci e que era uma jóia de pessoa - eu escrevi-lhe várias cartas para os filhos e dava-me sempre uns figuinhos secos, tão docinhos... que me regalava a comê-los !!! Ainda hoje gosto desses figos cheios de açúcar, branquinhos, que eram igualzinhos aos que o Zé da tia Conceição, sempre amigo, trazia no bolso para me dar!
Nasceu a tia Zulmira em Bujões aos 9 de Novembro de 1906 e enviuvou em 28 de Novembro de 1958, porquanto o marido, Joaquim Botelho, faleceu no Rio de Janeiro naquela data. É filha de Valentim dos Santos e Maria Augusta Fernandes, neta paterna de António de Araújo Penalva e Luísa dos Santos e materna de António Alves e Maria Fernandes.
Emigrou para o Brasil em 1965 para junto dos filhos. Ali faleceu.


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Sr. FÉLIX e Dona LUCINDA, fotos de 1929



Um casal que as pessoas menos jovens de Bujões ainda recordam com saudade - Lucinda da Piedade, filha de José Correia Antunes e de Miquelina de Jesus, nascida em Seixo da Beira -Oliveira do Hospital, distrito de Coimbra, no dia 30/3/1889,  e o marido, Félix António, filho de Henrique Apolinário e de Filomena Teixeira Messias, nascido em Bujões em 2/8/1881.

Conheceram-se no Brasil e aí casaram.
Lucinda da Piedade faleceu em Bujões em 24 de Maio de 1956 e o marido no Brasil alguns anos mais tarde. 
Naquela que foi a sua típica casa, na Rua do Rabão, que ainda existe, embora já mais velhinha, casa essa então ladeada por nogueiras e cerejeiras que a embelezavam de verdura,  ali se realizavam os tão inesquecíveis e apreciados bailes animados por músicos como o tio João Cego e outros que vinham de Poiares. E quando não havia músicos, era utilizada a famosa vitrola, cujo som se ouvia até ao fundo da Regada, não havendo ninguém daqueles velhos tempos, aqueles que eram  então os rapazes e raparigas de Bujões, que não recordem com saudade aqueles bailaricos onde se iniciaram ou fortaleceram muitos namoros. E como havia grandes dançarinos de valsa e tango, mexendo os pés e o corpo ao sabor da harmonia da música, com o sabor especial daquela sala de baile com soalho de madeira, com cadeiras para as mães se sentarem a olharem as filhas e com a alegria inolvidável da dona Lucinda. Agora só resta mesmo a saudade! Que tempos tão diferentes!


 

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Maria de Jesus Barbosa- Foto de 1928




Adriano dos Santos Miguel, foto de 1930


Maria de Jesus Barbosa nasceu em Bujões em 5 de Maio de 1899 e era filha de António dos Santos Barbosa e de Engrácia Messias, neta paterna de António dos Santos e Maria Barbosa e neta materna de António Lopes Messias  e de Antónia Teixeira da Cunha.
Adriano dos Santos Miguel, nascido em 2 de Janeiro de 1894, era natural de Mosteirô, freguesia de Andrães. 

Emigraram para o Brasil em 1922 na companhia do filho Domingos Miguel, então com 5 meses e fizeram algumas viagens de ida e volta.
Abriram uma venda por debaixo da sua casa na na Rua do Rabão, ao lado da casa do Sr. Félix, e aí ela ganhou a alcunha de tia Maria Guixa, ou somente tia Guixa.
Gente que faz parte da história de Bujões, os mais velhos ainda se lembram deles e sobretudo de alguns dos filhos, como o Domingos, o António e o Nelson, este o mais conhecido.



CONTINUA ...
























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