OS PADRES DE BUJÕES




Todos aqueles que seguem este blogue já conhecem alguns Padres que fazem parte da história de Bujões. O que talvez não imaginem é que na sua aldeia natal tivessem nascido, vejam bem, mais de uma dezena de Padres!
Eu repito, mais de uma dezena!!!
Há dias dizia-me um bujoense que todos os Padres deveriam ser como o Padre Germano, enquanto este exerceu essa função tão digna, porque encantava as pessoas que o ouviam e estava sempre pronto para ajudar! Afinal, rematou a conversa, dizendo que o Padre Germano ainda hoje continua a ser uma pessoa muito especial, apesar de ter mudado de vida há muitos anos!
É verdade que também falaremos dele, uma vez que seria impossível falar dos Padres que nasceram em Bujões e esquecer aquele que decidiu dar testemunho da sua vida no livro de que é autor, intitulado
" Desde o Alto da Serra" e que foi oferecido a muitos bujoenses que estiveram nessa pequena festa cujo registo consta de diversos vídeos, que podem ser vistos no Youtube, sob a designação  - Desde o Alto da Serra ou numa página deste blog  sob o título  Vídeos  Desde o Alto da Serra.
De facto, com base apenas nos documentos dos últimos séculos que foram guardados pela Igreja, nós identificámos, após exaustivas pesquisas, o nome desses Padres naturais de Bujões, sem dúvida ligados às famílias mais influentes daquelas épocas, porquanto, há séculos atrás não ficava barato chegar a esse cargo, e ser sacerdote era sinónimo de prestígio e influência, quer para o próprio, quer para os familiares que suportavam as despesas no seminário ou colégios onde se formavam.
Nesse contexto, existiam então muitos sacerdotes e era vulgar que numa missa, baptizado, casamento ou óbito, estivessem presentes vários deles, em simultâneo.

Certamente que além dos Padres que vamos dar a conhecer, entre os quais aqueles três ou quatro que já abordámos neste blogue, terá havido outros, antes do ano de 1700, altura a partir da qual passou a ser possível consultar os chamados processos de inquirição de genere vita et moribus e que eram analisados e controlados pela influente Arquidiocese de Braga.


                          

    
Todos os outros, se os houve, vão ficar certamente esquecidos para sempre, porque não existirão, segundo parece, documentos comprovativos. Contudo, daqueles vários que encontrámos, vamos exibir aqui parte da respectiva documentação, baseada nos aludidos processos de inquirição de genere vita et moribus, uma espécie de inquérito em que tinha de ser aprovada a candidatura, sendo ouvidos sob segredo os depoimentos de diversas testemunhas que visavam apurar determinados princípios, como a pureza do sangue cristão do requerente e de seus antepassados.
E posso assegurar-vos, por fim, que até tivemos em Bujões, por duas vezes, dois irmãos que foram Padres, um deles figura marcante da Igreja de São Pedro de Abaças! Curioso, sem dúvida.
Mas o mais curioso é o facto de o primeiro Padre de Bujões, que hoje dou a conhecer, ter o nome de Joseph Caettano Botelho (José Caetano Botelho), habilitado em 1728. Teve um irmão, também Padre, com o nome de Luís Botelho de Mendonça, habilitado em 1735! Como se sabe, o último a formar-se foi precisamente o Padre Germano Correia Botelho! Quase 300 anos de distância entre o primeiro padre de apelido Botelho e o último, até agora.
Porém, e como estamos a falar de coisas curiosas, há sempre uma particularidade que se destaca quando analisamos alguns factos conhecidos da vida de alguns desses queridos bujoenses que quiseram servir a Deus e propagar a fé católica. Dizem, sem maldade, que por efeito da água cristalina com que eram lavados em pequeninos, aconteceu que vários deles, depois de crescerem e se candidatarem à vida sacerdotal acabaram por prevaricar, isto é, não cumpriram com a lei do celibato, e foram pais de vários filhos!!! Não resistiam pura e simplesmente aos olhares femininos, ou, o mais certo, seria o contrário! Ou seja, está demonstrado que enquanto Bujões tiver a mesma qualidade de água que há séculos já brotava das fragas da costa das Lages e depois da mina que deu lugar à Fonte, encaminhando-se naquele ribeiro que vai para Vilarinho, ou então, diz-se, também, por as noites de inverno serem muito frias e não recomendarem que qualquer homem durma sozinho, com os pés gelados, não é fácil que venham a existir mais Padres naturais de Bujões, porque essa característica singular lhes moldará o espírito, agitando o pensamento para os caminhos do "pecado" e, tal como no passado, não haverá vocação que resista!
Uma coisa é certa, a maioria deles acabaram por decidir reconhecer os filhos e só não casaram porque não era, como hoje ainda não é, que a hierarquia da Igreja Católica autorize aquilo que cada vez é mais pertinente, ou seja acabar com o celibato. 



Aos que assumiram os filhos como seus, e pelo que sabemos fizeram-no todos, só temos que louvar a grandeza da alma e do gesto exemplar que deixaram aos vindouros, porque foi Jesus Cristo que proclamou como elemento essencial da família o amor dos pais pelos seus filhos! E servir a Deus nunca deveria ser impedimento para constituir família, uma vez que, tal decisão sobre o celibato não foi tomada por Jesus Cristo, cujos seguidores (os Apóstolos) na sua maioria eram homens casados.
Vejamos, agora, os nossos Padres de Bujões, personagens que deixaram marca na história da nossa aldeia, embora alguns deles irão continuar, à falta de memórias escritas, uns ilustres desconhecidos. E acreditem que por esse mundo além não será fácil encontrar, como encontrámos em Bujões, um Padre - Joaquim José da Silva Barbosa - que foi pai de três filhos, duas meninas e um rapaz, este de nome António Joaquim Vicente, que também viria a ser Padre! Um Padre filho de outro Padre, coisa rara, mas aconteceu em Bujões, como adiante veremos e até celebraram actos religiosos ao mesmo tempo! Até nisso Bujões deixou marca na história!



Padre JOSEPH CAETTANO BOTELHO
Filho de Joseph Botelho de Mendonça e de Maria Leonor Botelho, neto paterno de João Figueiredo Botelho e de Maria Pereira Barbosa, de Bujões, e neto pela parte materna de Manuel Ribeiro de Figueiredo e de Maria Botelho de Afonsequa.
A nosso ver, o Padre José Caetano Botelho desempenhou a sua missão na Igreja de Nossa Senhora da Conceição fundada no Largo do Seixo pela família Barbosa. Não esquecer que Maria Pereira Barbosa era sua avó paterna.
Com seu irmão, Padre Luís Botelho de Mendonça, terá sucedido o mesmo, mas quanto a isso não estamos tão seguros. 
Inicio do processo de inquirição de genere no ano de 1728, existindo muito mais documentos, além dos três que abaixo exibimos.





A prova de ter nascido em Bujões
                                    




 Parte do registo de um  baptismo realizado na Capela de Nossa Senhora da Conceição, em Bujões, no dia 14/10/1775 em que consta a assinatura do Padre José Botelho.







Padre DOMINGOS MOREIRA
O Padre Domingos Moreira,por si só, mereceria uma página neste blogue. Com efeito, além de também ter tido um irmão como sacerdote, o Padre Francisco Moreira, de que seguida falaremos, foi Pároco da Igreja de São Pedro de Abaças durante inúmeros anos, mas vivia em Bujões, sua terra natal. É filho de António Rodrigues e de Ana Moreira, ambos de Bujões.
Em 7/2/1736 obteve sentença de mandado de capienda possessione como vigário da Igreja de São Pedro de Abaças, envolvendo-se em disputa com o Padre João Rodrigues de Figueiredo.
Esteve à frente da Igreja, com firmeza, até 1774, ele que obteve em 1730 a sua nomeação como sacerdote. 
Antes de falecer, em 23/7/1788, obteve autorização da Diocese de Braga, em 27 de Fevereiro de 1777, para que sua filha JOANA, fruto de uma relação amorosa com Marisa Alves, de Cerdeira-Vreia de Jales, vivesse com ele. Em 1780 obteve idêntica autorização para o seu filho MANUEL, fruto da relação com Maria Esperança, solteira.
Estes dois filhos, nascidos de mulheres solteiras distintas, foram nomeados no seu longo testamento como seus herdeiros, alegando que já os legitimara como pai. 



                                                   

Prova documental de que Domingos Moreira é natural de Bujões


1805- Baptismo de Joaquim, filho de José Joaquim de Morais e Castro e Dona Joana Rita Moreira, neto pelo lado materno do Padre Domingos Moreira, pelo amor legitimado com Marisa Alves, solteira, natural de Cerdeira -Vreia de Jales.




Padre JOSEPH LOPES
O Padre José Lopes obteve licença em 1734. Filho de Pedro Rodrigues Lopes e de sua mulher Maria Lopes, ambos de Bujões, era neto pelo lado paterno de Domingos Lopes e Ana Lopes, de Bujões. Os avós maternos eram de Canelas e do lugar do Tanha. Não existe conhecimento de qualquer facto digno de realce respeitante à sua vida eclesiástica e privada.




                

Registo de casamento em que assina também o Padre Joseph Lopes



Registo do óbito em Bujões aos 7 de Outubro de 1782 , do Padre José Lopes, clérigo in minoribus. 







Padre LUÍS BOTELHO DE MENDONÇA
É irmão do Padre Joseph Caettano Botelho, e solicitou ingresso nas chamadas ordens menores no ano de 1734, conforme consta do respectivo processo de que juntamos apenas dois documentos, existindo outros.
Obteve licença em 1735.


 







                                                 
                                                                                                 
Padre FRANCISCO MOREIRA
É irmão do Padre Domingos Moreira e obteve autorização no ano de 1756. Tal como o irmão, é filho de António Rodrigues e de Ana Moreira, de Bujões, neto pelo lado materno de António Moreira, de Bujões,  e de Maria Rodrigues, de Fontelo e  pelo lado paterno de Pedro Rodrigues, de Bujões, e de Ana Rodrigues, de Vila Seca de Poiares.
Em 11 de Julho de 1784 obteve autorização de Braga para ter por criada Maria, solteira, pelo tempo de um ano. No seu testamento deixou dez mil reis à filha dessa sua criada, Maria Sapateira, solteira,de Abaças, mas daí nada podemos concluir... 



11/11/1788 - Morreu em Bujões o Padre Francisco Moreira, quatro meses depois de seu irmão.




Padre MANUEL LOPES DE FIGUEIREDO
Não existe o processo de inquirição de genere deste Padre que tudo aponta tenha nascido em Bujões, uma vez que existia na aldeia a família Lopes Figueiredo.
Aparece em vários actos litúrgicos na freguesia, como a de celebrar casamentos, já no ano de 1771, sendo ele que manuscreveu os registos de vários testamentos e foi testamenteiro designadamente do Padre Domingos Moreira.




Registo do óbito do Padre Manuel Lopes de Figueiredo
Registo de um casamento em Abaças celebrado  em 1771 pelo Padre Manuel Lopes de Figueiredo





Padre ANTÓNIO MOREIRA DE CARVALHO
O Padre António Moreira de Carvalho nasceu em Bujões em 1765, filho de Manuel de Carvalho e Maria Moreira, também de Bujões. Obteve licença no ano de 1782.
Em 2/10/1788 obteve confirmação plena da Arquidiocese de Braga para celebrar missa.








   






Padre MANUEL JOSÉ RODRIGUES
Não existem grandes elementos sobre a atividade do Padre Manuel José Rodrigues, nascido em Bujões e que foi batizado pelo Padre Domingos Moreira.
Obteve licença em 1785.
Por provisão de 13 de Janeiro de 1787, da Arquidiocese de Braga, foi-lhe confirmada licença para celebrar missa.



      MANUEL JOSE, filho de Agostinho Rodrigues, de Galafura 
      e de Maria Vilela, de Bujões. Nasceu em Bujões em 24 de 
      Setembro de 1762.




Padre JOAQUIM JOSÉ DA SILVA BARBOSA


                              
           1764- Joaquim José da Silva Barbosa nasceu em 
          S. Dionisio (Vila Real),mas a sua vida decorreu em Bujões.

Iremos considerar o Padre Joaquim José da Silva Barbosa como sendo de Bujões, pela simples razão de que sendo ele natural de Vila Real, onde nasceu na freguesia de São Dionísio, teve uma ligação profunda à nossa aldeia, não só como sacerdote, mas sobretudo como pai.
De resto, seus pais - Gaspar Gonçalves de Morais e Dona Luísa Caetana da Silva Barbosa- eram moradores na Quinta da Prelada, e esta quinta de acordo com o Foral de D. Sancho I, do ano de 1191, pertencia aos limites das terras de Bujões.
O processo de génere decorreu no ano de 1785.  








A vida do Padre Barbosa tem muitos episódios interessantes e alguns bem controversos se atendermos a que se tratava de um membro do clero, filho de uma família poderosa naquela época -os Barbosa-.
Através dos documentos que existem, vejamos alguns factos importantes da vida deste sacerdote que se perdeu de amores por uma bujoense bonita, como são todas as bujoenses, e que dava pelo nome de Florência Amália, que teve 3 filhos e que todos eles passaram pela Roda da Igreja de São Pedro, em Vila Real, onde foram abandonados e baptizados, mas certamente com controlo do pai e da mãe, pois acabariam por viver em Bujões e foram perfilhados pelo Padre Barbosa.


Ano de 1771- Baptizado em Bujões de Florência Amália que viria a ser mãe de três filhos do Padre Barbosa.
Óbito em Bujões de Florência Amália em 1834
      Bujões 1835- Casamento de Dona Ana Joaquina da Silva Barbosa,
    exposta na Roda de Vila Real, criada em Benagouro e reconhecida
    como filha do Padre Barbosa e  de Florência Amália.





Folha inicial do testamento do Reverendo Joaquim da Silva Barbosa. 
                 Nele reconhece que é pai de três filhos de Florência Amália , que são: 
                           Padre António Joaquim Vicente, Dona Ana Joaquina da Silva Barbosa e 
Dona Margarida Amália da Conceição da Silva Barbosa.

3ª e última página do testamento




Ambas as filhas do Padre Barbosa tiveram filhos, mas uma delas- Margarida Amália da Conceição- nunca casou, sendo mãe natural.
O Padre Joaquim Barbosa chegou a ser o Padre responsável pela Igreja de S. Pedro de Abaças, e celebrou atos litúrgicos na Igreja de S. Pedro de Vila Real e, naturalmente, em Abaças e nas Capelas de Bujões.
Podia ter sido um Padre influente mas a paixão com Florência Amália e a forma como ocultaram a existência de filhos (colocando os mesmos na Roda da Igreja de S. Pedro) levou a que o seu prestígio não tivesse atingido o nível merecido.
No entanto, o gesto de os legitimar, deixando-lhes os seus bens e até ajudando a que seu filho António também se formasse como sacerdote, amenizou bastante as chamadas fraquezas humanas, que tudo cobriam e que obtinham fácil perdão.
O Padre Joaquim José da Silva Barbosa faleceu em Bujões em 20 de Fevereiro de 1835.




Registo de óbito do Padre Barbosa








Padre JOÃO LOPES
O Padre João Lopes, cuja atividade em Bujões e Abaças está demonstrada em diversos registos, é filho de Caetano Lopes e de sua mulher Maria Lopes, ambos nascidos em Bujões.
O Padre João Lopes nasceu em Bujões em 12/11/1755, dez dias após o terrível terramoto que devastou Lisboa e outros locais do país.
Obteve licença em 1787.
Em 4 de Outubro de 1788 a Arquidiocese de Braga deu-lhe permissão escrita para celebrar missa.





           

     
                 


       
 Documento de 1829 assinado pelo Padre João Lopes, coadjutor da Igreja de S.Pedro de Abaças.







Padre DOMINGOS RIBEIRO DE ARAÚJO
Em algumas páginas deste blogue, já nos referimos em pormenor à  vida deste Padre, natural de Bujões, nascido em 1798, filho de Manuel António Ribeiro e de Ana Maria de Araújo Vilela.
Obteve licença em 1817 e a sua vida sacerdotal limitou-se ao cargo de Capelão privado de uma senhora rica da Presegueda, Dª Delfina Leonor Pereira de Mesquita e Castro, que faleceu em 12/2/1849, e a um pequeno número de actos litúrgicos realizados de forma esporádica em Bujões e Abaças.
Na Presegueda, onde passou a residir a partir de 1817, o Padre Domingos viria a conhecer muitos anos depois MARIA DOS REMÉDIOS, uma jovem baptizada na Igreja de Canelas em 22/12/1829, ali deixada na Roda em condições difíceis de esclarecer e por quem se perdeu de amores. Apesar da diferença de idade, 31 anos, ambos acabariam por viver essa paixão ao ponto de MARIA DOS REMÉDIOS ter vindo para a sua casa de Bujões onde nasceram os 5 filhos que foram: 
FILOMENA AUGUSTA RIBEIRO DE ARAÚJO, nascida em 4/7/1847 
MARIA DE JESUS RIBEIRO DE ARAÚJO, nascida em 12/3/1849 
JOSÉ DIONÍSIO RIBEIRO DE ARAÚJO, nascido em 9/10/1852 
TERESA ANGÉLICA RIBEIRO DE ARAÚJO, nascida em 15/11/1854 
ELISA DA NATIVIDADE RIBEIRO DE ARAÚJO, nascida em 21/10/1863 





Bujões 2/6/1798-Registo de batismo de DOMINGOS

        




Documento do processo de génere de 1817
                                                                             


17/2/1817 - Fim do processo e autorização dada por BRAGA


Não queremos deixar de referir nesta página uma posição nobre tomada pelo Padre Domingos Ribeiro de Araújo que no seu testamento assume de forma clara a sua relação com Maria dos Remédios, dividindo os seus bens pelos cinco filhos, todos situados em Bujões, e impõe que a mãe e as filhas solteiras possam continuar a viver nas casas deixadas ao filho José Dionísio Ribeiro de Araújo e que  só teriam de abandonar caso contraíssem matrimónio. 
Terminamos transcrevendo uma parte do testamento que revela bem o carácter e frontalidade do Padre Domingos Ribeiro de Araújo:
" Nem quando falecer quer que seu corpo seja envolto com os seus hábitos. Ele reafirma que o seu funeral seja feito segundo o uso e costume de sua freguesia e qualidade de suas pessoas."
Ou seja, não quis ser enterrado com as suas vestes de padre e queria que o seu funeral fosse feito segundo o uso e costume da freguesia e qualidade de suas pessoas, isto é enterrado do modo mais simples e humilde, porquanto a esmagadora maioria dos habitantes eram trabalhadores rurais ou pequenos e médios agricultores.
Além do mais queria apresentar-se perante Deus como homem comum e pai de seus filhos, já que seria difícil, senão impossível, nessa época, abandonar o sacerdócio e casar-se com a mulher que amou.
E essa mulher não era sua criada de servir como cinicamente apontou no registo o então Padre da freguesia.
O Padre Domingos Ribeiro de Araújo faleceu em Bujões em 9 de Maio de 1876.




Padre ANTÓNIO JOAQUIM VICENTE
Não existe o processo de génere deste Padre que passou pela Roda da Igreja de S. Pedro de Vila Real, quando nasceu em 22 de Outubro de 1800. Filho natural de Florência Amália, de Bujões, e do Reverendo Padre Joaquim José da Silva Barbosa, mal imaginaria ele que de abandonado numa Roda de Igreja chegaria a pároco de Abaças e de Louredo ( Santa Marta de Penaguião)
Existe documentação em Braga acerca do património que lhe foi doado pelo pai, sem nunca essa ligação paterna ser referida, tendo como finalidade demonstrar que tinha bens para prover a sua subsistência e poder pertencer à ordem eclesiástica, na qual ingressou em 1828.
Além de ter realizado diversos atos litúrgicos em Abaças, e em Bujões, incluindo a Capela da Família, ele foi nomeado pároco da Paróquia de Louredo, de Nossa Senhora da Purificação, em 1841. Durante um ano (1839) foi pároco de Abaças, tendo realizado cerimónias em conjunto com o pai! Coisa rara!

Por estes caminhos, em Louredo (S. Marta de Penaguião) se distinguiu a figura do Padre António Joaquim Vicente, de Bujões, cujo pai também foi sacerdote. Duas gerações de Barbosas ao serviço da Igreja.
Ano de 1800 - Batizado de António Joaquim, abandonado na Roda de São Pedro. 



                                         
                                                 



 Ano de 1826 -Escritura de património vitalício por doação de bens feita pelo Padre Joaquim José da Silva Barbosa a favor do  Padre António Joaquim Vicente, sem nada referirem quanto a serem pai e filho. Foi doada uma casa e terrenos em Bujões. 



1831- Casamento em Bujões celebrado por pai e filho, ambos padres.



     
Ano de 1839- O padre António Joaquim Vicente era  pároco de Abaças.


1841 - Padre António Joaquim Vicente, pároco de Louredo.


17/5/1854- Louredo- Óbito do Padre António Joaquim Vicente.


Padre ISMAEL JOSÉ DE ARAÚJO VILELA
Nasceu em Bujões em 23 de Novembro de 1873, sendo filho de José Júlio de Araújo Vilela e de Maria de Jesus Ribeiro de Araújo Vilela. Esta era filha de Maria dos Remédios e do Padre Domingos Ribeiro de Araújo, cujo nome não podia constar do registo (avô materno incógnito).



 Registo de baptismo de ISMAEL
Os pais do Padre Ismael aqui na companhia
do filho Manuel Avelino

Abaixo reproduzimos alguns dos cerca de 150 documentos que fazem parte do processo de inquirição de génere do Padre Ismael.




                                                                                   
Admissão no Seminário de Lamego em 1889/1890. Quem pagava a mensalidade era o Arcebispo de Lorissa e Bispo  Auxiliar de Lamego, D. João Rebello Cardoso de Menezes 







O Padre ISMAEL nasceu na casa situada no BAIRRO, em Bujões, comprada pelos pais em 16 de Novembro de 1872. Muito embora a sua vida sacerdotal tenha decorrido em diversos locais e terminado na povoação de Barcos, em cujo cemitério repousa, deixou um legado cultural revelador das suas altas capacidades de inteligência, bem como humanas.
Com efeito não podemos esquecer que, uma vez mais, um Padre de Bujões rompeu com a obrigatoriedade do celibato e foi pai de três filhos, cuja paternidade assumiu em escritura outorgada cerca de um mês antes de falecer, dizendo frontalmente ao seu Bispo que preferia apresentar-se diante de Deus como homem que amou e pai que era.
Seus filhos, Carlos José de Araújo Vilela, já falecido, este fruto de uma primeira paixão passageira. Quanto aos restantes, Eurico António de Araújo Vilela, já falecido, e Flávio Maria de Araújo Vilela, ainda vivo, estes são filhos de Rosa Cardoso Rebelo do Souto, também já falecida.
Flávio Maria que vive atualmente em Barcos, deslocou-se ao Brasil, ainda muito jovem, como comprova o documento abaixo, sendo presentemente o único filho do Padre Ismael ainda vivo, existindo porém muitos outros membros dessa prestigiada família Araújo Vilela em cujas veias corre sangue da humilde mas orgulhosa aldeia de Bujões.






Padre GERMANO CORREIA BOTELHO
O percurso de vida deste bujoense ilustre foi por ele mesmo relatado num livro, sob o título "Desde o Alto da Serra", que ofereceu pessoalmente a muitos conterrâneos que estiveram no evento organizado em Bujões em 9 de Julho de 2011.
Germano Correia Botelho é filho de Manuel Pires Correia e Clotilde das Dores Botelho,  e nasceu em Bujões em 1 de Outubro de 1927.




Tudo começou aqui em 1927

Os pais de GERMANO CORREIA BOTELHO 

A sua infância, como a de quase todos, foi vivida no meio de enormes dificuldades porquanto seu pai emigrou para o Brasil pouco antes de ele ter nascido e dali não chegou atempadamente a  bem necessária e ansiada ajuda.
Frequentou a Escola primária em Bujões e Poiares. Depois disso, desde Mogofores até á Universidade Gregoriana, em Roma, fez o percurso que viria a resultar na sua nomeação como sacerdote da Congregação Salesiana, ao serviço dos ideais de S. João Bosco. 
Dotado de uma capacidade extraordinária de comunicação e simpatia,muitos bujoenses ainda se lembram do dia de festa quando chegou a Bujões para celebrar a sua primeira missa na aldeia natal e recordam e recordarão para sempre a forma como se dirigia a todos, irradiando enorme simpatia e  amizade.
Não vamos aqui relembrar tudo aquilo que ele mesmo já escreveu sobre as vicissitudes da sua vida religiosa e de professor, nem tão pouco o modo como sempre acompanhou seus pais, tendo um carinho especial por eles.
Enquanto sacerdote desempenhou os mais altos cargos em várias Escolas Salesianas e deixou uma obra impressionante porque conseguiu apoios de muita gente importante naquela época, sendo recebido de braços abertos por todos aqueles que já sabiam que ele não era político, mas sim um homem preocupado em obter ajudas para fazer crescer a obra salesiana e dar aos milhares de alunos melhores condições de ensino.
Se para tal era necessário abrir as portas de ricos, de ministros e até do próprio Salazar, aí estava ele, sorridente, comunicativo, mas sempre pronto para ajudar quem precisava e conseguir umas migalhas daqueles que tinham muito ou que tinham influência.
A revolução do 25 de Abril retirou-lhe muitos desses apoios e no seu espírito começaram a surgir dúvidas sobre o caminho a seguir.
Já em fase de indecisão e reflexão, decidiu-se por um período sabático na Bélgica, na Universidade de Lovaina, somente dedicado ao estudo,  onde viria a conhecer a mulher por quem se perdeu de amores- uma belga, de nome Maryse Dejardin.
Em conjunto com ela, no meio de tormentas sem fim, ergueu os pilares de uma família tão linda que hoje embeleza as suas vidas e lhe dão o conforto de quem dividiu o seu tempo neste Mundo, onde felizmente ainda continua, servindo com  enorme empenho a congregação salesiana e lutando com unhas e dentes pelo bem estar daqueles que dão continuidade ao sangue bujoense que lhe corre nas veias.
Os filhos são os mesmos mas a família já cresceu ... e muito!


Diga-se o que disser, o Padre Germano Correia Botelho, hoje pai de 3 filhos, já é tratado por Doutor, mas não apagou nunca  o legado da sua forma peculiar de se bem relacionar com todos, sendo lembrado por muitos como uma figura inesquecível. Aliás, muitos bujoenses  já então de forma bairrista o afirmavam, em expressões jocosas: Isto sim é que um Padre. Não há igual! 
O Padre Monteiro (o daquela época) ao pé do Padre Germano nem para sacristão servia! - Até dá gosto vir à missa e ouvi-lo! Nem 50 Padres sabem mais latim do que ele!
Também eu, que escrevo estas palavras, lhe devo, como devem muitos outros bujoenses, o contributo da sua ajuda fraterna, mas não esqueço e por isso arrisco dizer que Bujões nunca mais vai ter Padres como a maioria daqueles que nesta página deixaremos lembrados para sempre.
E nas fotos seguintes, todas elas inéditas, observem o que transparece da curta passagem pela ilha da Madeira do Padre Germano, que foi Director da Escola Salesiana do Funchal.


   Passando revista às suas tropas com o Sr. Almirante 
Américo Tomás  que visitou o Colégio no Funchal (fotos abaixo)
O Sr. Engenheiro Moniz Galvão, sua Esposa Dona Maria Carolina e Governador do Funchal ao lado do amigo Padre Germano Correia Botelho
No meio dos seus alunos, em cada um deles um amigo!
No exercício das suas funções de  sacerdote
   De todo o mundo vinham pequenas ajudas para fazer crescer
a grande obra!






NOTA FINAL
Por agora concluímos o texto, ainda sujeito a pequenas alterações, sobre os Padres de Bujões. Mas não se admirem se dentro em breve não nos aparecer a confirmação de mais um dos muitos sacerdotes que nasceram na histórica aldeia de Bujões.

Março de 2015

Sem comentários:

Enviar um comentário